Em sua última homilia, Padre Fábio de Melo fez um profundo questionamento: “Para quem você abre portas?” A reflexão permitiu-me rever alguns importantes ensinamentos quanto ao uso da palavra.
Uma das maiores qualidades de um bom comunicador é saber escolher termos, sentenças, obras e influências. Para falar e escrever bem, é preciso cuidar daquilo que adentra olhos, ouvidos, cérebro.
Infelizmente, muitos profissionais “abrem portas” para textos ofensivos, palavras preconceituosas, frases mal-educadas e, por consequência, acabam desenvolvendo uma postura muito negativa e até mesmo hostil. Quem muito convida o ódio dificilmente verbalizará amor.
O que parece óbvio está sendo raridade, principalmente em tempos (in)sensíveis pandêmicos: tornou-se péssimo hábito ler um trecho de um trecho viral e tirar determinada dedução.
Reflexão à parte, como aquilo que se permite adentrar anda influenciando a fala e a escrita no profissional brasileiro? Nas mídias sociais, por exemplo, o que mais se lê é a frase “saudade né minha filha” sem quaisquer pontuação ou critério semântico para o uso da expressão. Será mesmo “saudade” o que se anda sentindo nos últimos meses, com todo o direito ao bom humor?
Há mais: entre os admiradores da atividade física, o uso monótono do verbo “morrer”, sem qualquer critério, será realmente sensível, diante de um cenário ainda tão difícil à nossa humanidade?
A “saúde” de nossas palavras (tão influenciadas por um fanatismo político) respeita os protocolos humanos? Que história é esta de sair agredindo classes profissionais, pessoas, sem o menor respeito? Sem o respeito, nenhuma regra gramatical existe. É viver em vão.
Hoje, revi a homilia do Padre Fábio, proferida no dia 23 de agosto de 2020, sobre o que “permitimos entrar” em nossas vidas. Se permitimos que o ódio e o negativismo nos invadam, a comunicação será apenas um retrato do que existe no lar do interlocutor, mais conhecido como mente.
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